Integração EDI com clientes: do pedido à nota, sem digitar
Como fazer a integração EDI com grandes clientes: mensagens de pedido, aviso de embarque e nota, o papel da VAN e como ligar tudo ao ERP sem redigitar.
Neste artigo
- O que é EDI e por que grandes redes exigem
- Mensagens comuns: pedido, confirmação, aviso de embarque
- Formatos e intermediários (VAN)
- Ligando o EDI ao ERP sem digitação
- De-para de produtos, unidades e lojas
- Erros, rejeições e monitoramento
- EDI ou API: o que pedir ao cliente
- Checklist antes de começar
- Perguntas frequentes
- Como a Pervian Tech trabalha EDI
O contrato com a rede de supermercados saiu, e junto com ele veio um manual de integração com dezenas de páginas. A rede não manda pedido por e-mail: manda por EDI. Espera receber a confirmação do pedido em poucas horas, o aviso de embarque antes do caminhão chegar ao centro de distribuição e a nota com o número do pedido de compra no campo certo. Quem não cumpre pode levar multa contratual, perder o agendamento da doca ou ter a mercadoria recusada.
Muitas indústrias e distribuidoras resolvem isso com o portal da VAN aberto no navegador: alguém baixa o pedido, digita no ERP e volta ao portal para digitar a confirmação e o aviso de embarque. Com o terceiro cliente grande, a digitação vira um setor, e erros de quantidade, código e loja de entrega viram devolução.
Fazer a integração EDI com clientes, em resumo, é ligar a caixa postal da VAN (ou a conexão direta com o cliente) ao seu ERP por uma camada que traduz as mensagens, converte códigos de produto e de loja, cria o pedido sozinha e devolve confirmação, aviso de embarque e nota no formato que o cliente exige. Este texto explica cada peça: o que é EDI, quais mensagens importam, o papel da VAN, o de-para e o monitoramento que evita multa e devolução.
O que é EDI e por que grandes redes exigem
EDI (Electronic Data Interchange) é a troca de documentos comerciais entre empresas em um formato estruturado e padronizado, de sistema para sistema. Em vez de um PDF de pedido que alguém precisa ler, o comprador envia um arquivo que o sistema do fornecedor consegue interpretar campo a campo: código do produto, quantidade, preço, data de entrega, local de entrega.
Grandes varejistas, atacadistas, montadoras e redes de farmácia exigem EDI porque compram de centenas de fornecedores e não podem receber cada um do seu jeito. O EDI impõe um único formato, e o esforço de se adaptar fica com quem vende.
Para o fornecedor, fazer a integração EDI com o cliente segue este roteiro:
- Pegar o manual de integração do cliente e identificar quais mensagens ele exige, em qual padrão e por qual canal.
- Escolher como se conectar: direto com o cliente ou por uma VAN (a maioria das redes indica ou exige uma).
- Traduzir as mensagens do padrão EDI para o formato que o seu ERP entende, e vice-versa.
- Montar as tabelas de de-para de produtos, unidades e locais de entrega.
- Automatizar o fluxo de entrada do pedido e de saída da confirmação, do aviso de embarque e da nota.
- Homologar com o cliente, que costuma exigir uma bateria de testes antes de liberar a produção.
- Monitorar rejeições e mensagens paradas, todos os dias.
Mensagens comuns: pedido, confirmação, aviso de embarque
Cada documento comercial vira um tipo de mensagem. Os nomes mudam conforme o padrão, mas o ciclo é quase sempre o mesmo:
| Documento | O que contém | Quem envia | Nome no EDIFACT | Nome no X12 |
|---|---|---|---|---|
| Pedido de compra | Itens, quantidades, preço, data e local de entrega | Cliente | ORDERS | 850 |
| Confirmação do pedido | Aceite total, parcial ou recusa, item a item | Fornecedor | ORDRSP | 855 |
| Alteração de pedido | Mudança de quantidade, data ou cancelamento | Cliente | ORDCHG | 860 |
| Aviso de embarque (ASN) | O que foi carregado, em quais volumes e paletes | Fornecedor | DESADV | 856 |
| Fatura | Valores faturados por item | Fornecedor | INVOIC | 810 |
| Confirmação de recebimento | O que efetivamente chegou | Cliente | RECADV | 861 |
Três pontos merecem atenção.
A confirmação não é formalidade. Sem estoque para tudo, a confirmação parcial avisa antes do embarque. Sem ela, o comprador descobre a falta na doca.
O aviso de embarque é o que mais dá trabalho. Ele descreve a carga palete a palete, com lote e validade quando o cliente exige. Redes que recebem por leitura de código de barras cruzam o aviso com as etiquetas dos paletes (em geral no padrão logístico GS1, com o código SSCC). Se os dois divergem, a carga pode ficar parada na doca ou ser recusada.
No Brasil, a fatura é a NF-e. Fora do país, a mensagem de fatura é o documento de cobrança. Aqui, o documento fiscal é a NF-e, cujo XML o emitente já precisa enviar ou disponibilizar ao destinatário. Alguns clientes ainda pedem a mensagem de fatura em EDI; outros dispensam e trabalham só com o XML da nota. O ponto que quase todos exigem é que a NF-e traga o número do pedido de compra e, às vezes, o item do pedido, nos campos próprios para isso, porque é assim que o cliente concilia nota, pedido e recebimento.
Formatos e intermediários (VAN)
Os padrões que você vai encontrar
- EDIFACT: padrão internacional mantido pela ONU (UN/CEFACT), muito usado no varejo. A versão do varejo segue o guia EANCOM, da GS1, que define como usar cada mensagem com códigos GTIN para produtos e GLN para locais.
- ANSI X12: padrão norte-americano, comum em clientes e matrizes dos Estados Unidos.
- Padrões setoriais brasileiros: o setor automotivo, por exemplo, tem formatos próprios de arquivo com layout de posição fixa, adotados pelas montadoras e seus fornecedores.
- Layouts próprios do cliente: arquivos texto, CSV ou XML definidos no manual de integração, que na prática funcionam como EDI.
Não existe "o formato EDI": cada cliente escolhe padrão, versão e campos obrigatórios. Dois clientes em EANCOM podem exigir avisos de embarque diferentes.
O que faz uma VAN
VAN (Value Added Network) é a empresa que fica entre você e o cliente na troca de mensagens. Ela recebe o arquivo do cliente, guarda numa caixa postal e entrega para você, e faz o caminho inverso. Algumas também traduzem formatos, validam conteúdo e oferecem portal web para quem ainda não integrou.
| Forma de conexão | Como funciona | Quando faz sentido |
|---|---|---|
| VAN com troca de arquivos | Seu sistema busca e envia arquivos na caixa postal (SFTP ou API da VAN) | Caso mais comum, um ponto de contato para vários clientes |
| Conexão direta (AS2, SFTP) | Sem intermediário, ponto a ponto com o cliente | Cliente que exige, volume alto, poucos parceiros |
A VAN resolve o transporte e, às vezes, a tradução. Não resolve o que dá trabalho de verdade: o pedido entrar no ERP do jeito certo e a resposta sair dele com os dados corretos. É esse elo que costuma ficar manual.
Ligando o EDI ao ERP sem digitação
O desenho que funciona tem uma camada de integração entre a VAN e o ERP. Ela recebe as mensagens, traduz, aplica os de-para, valida e só então cria o pedido no ERP. No sentido inverso, observa os eventos do ERP (pedido aprovado, carga fechada, nota autorizada) e gera as mensagens de resposta.
Entrada do pedido
- A camada busca os arquivos novos na caixa postal da VAN em intervalos curtos.
- Traduz cada mensagem para uma estrutura interna e grava o original, sem alteração, para auditoria.
- Aplica os de-para de produto, unidade e local de entrega.
- Valida: produto ativo, preço dentro da tabela acordada, data de entrega possível, cliente sem bloqueio.
- Cria o pedido no ERP com o número do pedido de compra do cliente gravado em campo próprio.
- Registra o pedido de compra como chave única, para que o mesmo arquivo recebido duas vezes não gere dois pedidos.
Saída das respostas
- Confirmação: gerada quando o pedido é aprovado, com as quantidades que o estoque ou o planejamento conseguem atender.
- Aviso de embarque: gerado no fechamento da carga, a partir da conferência, com volumes, paletes e lotes. Se a expedição não registra isso em sistema, o aviso não será automático; às vezes o primeiro passo é um leitor de código de barras na conferência.
- Nota: o número do pedido sai do pedido para a NF-e, e o XML autorizado segue para o cliente pelo canal que ele exige.
Os princípios gerais desse tipo de projeto, como fonte da verdade e tratamento de falhas, estão em como integrar seu sistema com o ERP sem dor de cabeça. Se o ERP é antigo e não oferece API para criar pedido, ainda há caminhos seguros, descritos em como integrar um sistema legado que não tem API.
De-para de produtos, unidades e lojas
É no de-para que a maioria das integrações EDI tropeça. O cliente pensa em códigos dele; o seu ERP, nos seus.
- Produto. O cliente pode mandar o GTIN (código de barras), o código interno dele ou os dois. O seu ERP tem o código próprio. A tabela de de-para precisa existir por cliente, porque o mesmo produto pode ter códigos diferentes em cada rede, e o GTIN da caixa é diferente do GTIN da unidade.
- Unidade. O pedido chega em caixas de 12; o ERP controla em unidades; o preço está por quilo. Fator de conversão errado vira nota com quantidade doze vezes maior ou menor.
- Local de entrega. O pedido traz o código da loja ou do centro de distribuição (muitas vezes o GLN). Ele precisa virar o endereço de entrega certo no ERP, que define frete, rota e, em alguns casos, a tributação.
- Condição comercial. Prazo de pagamento, desconto contratual e bonificação precisam bater com o que foi negociado. Pedido com preço diferente da tabela acordada não deveria entrar sozinho.
A regra prática: o de-para é cadastro, não código. Precisa de tela, dono na área de cadastro e histórico de alterações. Produto novo no mix do cliente ganha de-para antes do primeiro pedido, não depois da primeira rejeição.
Erros, rejeições e monitoramento
EDI falha em silêncio: o arquivo ficou na caixa postal, a confirmação foi rejeitada por um campo obrigatório vazio, o aviso de embarque saiu depois do caminhão.
Por isso, a camada de integração precisa de um painel de mensagens, com:
- Todas as mensagens recebidas e enviadas, com status (recebida, traduzida, pedido criado, confirmada, rejeitada).
- Fila de exceções com motivo legível: "produto sem de-para para este cliente", "preço fora da tabela", "loja de entrega desconhecida". Quem corrige é a área responsável, e o reprocessamento é um botão, não um chamado para o desenvolvedor.
- Alertas por prazo: pedido recebido sem confirmação depois do limite combinado, carga faturada sem aviso de embarque enviado.
- Leitura das mensagens de retorno do cliente ou da VAN (aceite ou rejeição técnica), para que "enviado" não seja confundido com "aceito".
- Conciliação periódica: pedidos na VAN contra pedidos no ERP, notas emitidas contra avisos enviados.
Os arquivos trazem dados pessoais, como contatos de compradores. Logs e filas devem seguir a LGPD: guardar o necessário, com acesso restrito.
EDI ou API: o que pedir ao cliente
Nem todo cliente grande exige EDI clássico. Varejistas e plataformas mais novas oferecem APIs REST para pedidos e notas, e alguns aceitam os dois.
| Critério | EDI (via VAN) | API |
|---|---|---|
| Quem define o formato | Padrão de mercado mais o manual do cliente | O cliente, na documentação da API |
| Velocidade | Em geral por lotes, em intervalos | Pode ser imediata, por evento |
| Esforço para atender muitos clientes | Uma VAN atende vários | Uma integração por cliente |
| Retorno de erro | Mensagem de rejeição posterior | Na hora, na resposta da chamada |
| Maturidade no varejo tradicional | Alta | Variável |
Se o cliente oferece as duas opções, pergunte: quantos clientes vão usar o mesmo canal? Para vários varejistas em EANCOM, uma VAN e uma boa tradução atendem todos. Para um único cliente com API boa, a API costuma ser mais simples.
O caminho inverso também aparece: quando é a sua empresa que compra de muitos fornecedores ou vende para muitos parceiros menores, oferecer uma API pode ser melhor que exigir EDI. Esse desenho está em API para parceiros e clientes: quando faz sentido.
Em qualquer caso, a camada de integração é a mesma por dentro (de-para, validação, idempotência, fila de exceções); só muda o adaptador da ponta. Vale desenhá-la pensando no próximo cliente, não só no atual.
Checklist antes de começar
- Manual de integração de cada cliente em mãos, com versão do padrão e mensagens obrigatórias.
- Prazos de resposta exigidos (confirmação, aviso de embarque) e penalidades previstas no contrato.
- VAN definida, com acesso de teste e de produção.
- Lista de produtos vendidos para cada cliente, com GTIN de unidade e de caixa.
- Lista de lojas e centros de distribuição do cliente, com os códigos que ele usa.
- Verificação de que o ERP aceita criar pedido por API, arquivo ou banco, e de que tem campo para o pedido de compra do cliente.
- Verificação de que a expedição registra volumes, paletes e lotes em sistema.
- Responsável nomeado para a fila de exceções.
- Calendário de homologação combinado com o cliente.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva para implantar EDI com um cliente?
Depende das exigências do manual do cliente, do ERP e da homologação. A implantação de EDI costuma seguir fases: diagnóstico, primeiro cliente homologado e depois os demais. A homologação, com a bateria de testes exigida pelo próprio cliente, costuma pesar no cronograma, por isso o prazo só é definido depois do diagnóstico.
Preciso contratar uma VAN para fazer EDI?
Nem sempre, mas é o caminho mais comum. A maioria das redes indica ou exige uma VAN, que funciona como caixa postal entre fornecedor e cliente e atende vários parceiros por um único ponto. A conexão direta por AS2 ou SFTP faz sentido quando o cliente exige, quando o volume é alto ou há poucos parceiros.
Qual a diferença entre EDI e NF-e?
O EDI é a troca de documentos comerciais, como pedido, confirmação e aviso de embarque, em formato padronizado entre empresas. A NF-e é o documento fiscal brasileiro, autorizado pela SEFAZ. Na integração EDI feita no Brasil, a NF-e costuma substituir a mensagem de fatura, mas precisa trazer o número do pedido de compra do cliente.
O portal da VAN não basta para atender o cliente?
Para poucos pedidos, o portal web da VAN pode resolver no começo. Conforme o volume cresce, digitar pedidos no ERP e voltar ao portal para enviar confirmação e aviso de embarque gera atrasos e erros de quantidade, código e loja de entrega. A integração EDI automatizada elimina essa digitação e reduz devoluções e multas.
Como a Pervian Tech trabalha EDI
Na Pervian Tech, começamos pelo diagnóstico gratuito: quais clientes exigem EDI, em quais padrões e VAN, onde a operação ainda digita à mão, como o ERP recebe pedidos e emite notas, e como a expedição registra a carga.
A partir daí, desenhamos sob medida a camada de integração entre a VAN e o ERP, com de-para cadastrável, painel de mensagens e fila de exceções, e preparada para receber o próximo cliente sem reescrever o que já funciona. É um trabalho de arquitetura de software antes de ser de programação. Mais detalhes sobre esse tipo de projeto estão na página de integração de sistemas, e outros textos do tema estão na categoria integrações.
O cronograma segue fases (diagnóstico, primeiro cliente homologado, demais clientes) e depende das exigências de cada manual e da homologação do cliente, por isso é definido depois do diagnóstico. O investimento é sob consulta. Se a sua equipe ainda digita pedido de rede no ERP, conte como esse fluxo funciona hoje.
Quer uma solução assim na sua empresa?
Cada projeto é desenhado sob medida para o seu processo, e o investimento é definido sob consulta depois de entendermos o contexto. O diagnóstico inicial não tem custo: descreva o cenário e respondemos em até um dia útil.
Falar com a Pervian Tech