Pular para o conteúdo

AWS, Azure ou Google Cloud: qual escolher para sua empresa

AWS, Azure ou Google Cloud? Compare região no Brasil, serviços gerenciados, suporte, faturamento em reais e como evitar ficar preso ao provedor.

Por · LinkedIn 14 min de leitura
Neste artigo

A decisão chega à mesa da diretoria de formas diferentes. O fornecedor do ERP recomenda uma nuvem. O consultor de TI que atende a empresa há anos prefere outra. Um dos sócios ouviu num evento que "todo mundo está indo para o Google". E alguém da equipe lembra que a empresa já paga licenças da Microsoft, então talvez faça sentido ficar em casa.

Cada um tem um argumento razoável, e as comparações que aparecem na internet não ajudam: são tabelas com centenas de nomes de serviço que ninguém na diretoria vai usar. O que o gestor precisa saber é outra coisa. Onde ficam os dados, quanto trabalho de operação a nuvem tira da equipe, como é o suporte quando algo cai numa sexta à noite, como a conta chega ao financeiro e quão difícil será sair se a relação azedar.

Este texto compara AWS, Azure e Google Cloud por esses critérios, os que pesam numa empresa média brasileira, e termina com um roteiro de decisão que você pode usar na próxima reunião.

A resposta curta

Para a maioria das empresas médias brasileiras, os três provedores atendem bem. Todos têm região no Brasil, banco de dados gerenciado, armazenamento de arquivos, backup, recursos de segurança maduros e suporte pago com níveis de resposta definidos. A diferença entre eles raramente decide o sucesso de um projeto. O que decide é a arquitetura, a disciplina de custo e a qualidade da operação.

Dito isso, existem inclinações naturais:

  • Azure tende a ser a escolha mais simples para empresas que vivem no ecossistema Microsoft: Microsoft 365, Windows Server, SQL Server, Active Directory e sistemas legados em .NET.
  • AWS tende a ser a escolha mais simples quando a prioridade é amplitude de serviços, maturidade da região de São Paulo e facilidade de encontrar profissionais e parceiros com experiência. Para o front-end web, compare também Vercel ou AWS.
  • Google Cloud tende a ser a escolha mais simples para empresas que já usam Google Workspace, que têm forte demanda de dados e análise, ou que vão trabalhar com contêineres desde o início.

Se a sua empresa não se encaixa claramente em nenhum desses perfis, a escolha deve sair dos critérios abaixo, e não da preferência de quem está recomendando.

A escolha da nuvem importa menos do que parece

Os problemas que mais custam caro em nuvem não são do provedor:

  • Servidor superdimensionado que roda o mês inteiro para atender um pico de fechamento.
  • Ambiente de testes esquecido ligado depois que o projeto acabou.
  • Backup que nunca foi testado e não restaura quando precisa.
  • Permissões amplas demais, com todo mundo administrando tudo.
  • Sistema levado do jeito que estava, sem aproveitar nenhum serviço gerenciado.

Qualquer um desses acontece igualmente em AWS, Azure ou Google Cloud. Uma empresa que escolhe o provedor "ideal" e opera mal vai gastar mais e ter mais incidentes do que outra que escolhe um provedor qualquer e opera bem. Se o projeto é sair de um servidor físico, o roteiro de como migrar o servidor local para a nuvem costuma ter mais impacto no resultado do que a escolha do provedor.

Região no Brasil, latência e residência de dados

Os três provedores têm região no estado de São Paulo. A Microsoft tem também uma região no Rio de Janeiro, mas com acesso restrito e pensada principalmente como par de recuperação de desastres da região paulista, e não como opção comum de hospedagem. Na prática, isso significa que sistemas usados por equipes e clientes no Brasil podem rodar perto de quem usa, com tempo de resposta adequado para telas de ERP, PDV e aplicativos.

Alguns cuidados que costumam ser ignorados:

  • Nem todo serviço está disponível em todas as regiões. Serviços mais novos, principalmente de IA e de análise de dados, às vezes chegam primeiro aos Estados Unidos e à Europa. Antes de decidir, confirme se os serviços que a sua arquitetura usa existem na região brasileira do provedor escolhido.
  • Região brasileira costuma ser mais cara do que as regiões dos Estados Unidos. Isso não é motivo para mandar tudo para fora, mas é algo a avaliar caso a caso, por exemplo para cópias de arquivo de longo prazo que não contenham dados pessoais.
  • Recuperação de desastres precisa de uma segunda localização. Como cada provedor tem, na prática, uma região de uso geral no Brasil, a cópia de contingência costuma ficar em outra zona da mesma região ou em uma região no exterior. Essa escolha conversa diretamente com a LGPD, abaixo.

Sobre a LGPD: a lei não proíbe guardar dados pessoais fora do Brasil, mas trata a transferência internacional com regras próprias. Muitas empresas preferem manter dados pessoais de clientes e funcionários em região brasileira para simplificar a conformidade e responder melhor a contratos com clientes que exigem isso. Essa é uma decisão a validar com o jurídico. Os três provedores permitem escolher a região onde os dados ficam armazenados, mas vale ler no contrato como são tratados dados de suporte, registros técnicos e serviços globais, que podem passar por outros países. Os cuidados de desenvolvimento estão no post sobre LGPD no desenvolvimento de sistemas.

Serviços gerenciados que poupam trabalho

O maior ganho da nuvem para uma empresa média não é trocar o servidor físico por um servidor virtual. É deixar de operar coisas que o provedor opera melhor. Os três oferecem versões gerenciadas do que mais pesa no dia a dia:

Necessidade da empresa O que o serviço gerenciado assume AWS Azure Google Cloud
Banco de dados (PostgreSQL, MySQL, SQL Server) Atualização, backup automático, réplica, troca automática em caso de falha Sim Sim Sim
Armazenamento de arquivos e documentos Durabilidade, versões, ciclo de vida Sim Sim Sim
Rodar aplicações em contêiner Servidores, escala, atualização do cluster Sim Sim Sim
Funções que rodam sob demanda Infraestrutura inteira, cobrança por uso Sim Sim Sim
Filas e mensagens entre sistemas Entrega, reprocessamento, escala Sim Sim Sim
Data warehouse para BI Armazenamento e consulta em grande volume Sim Sim Sim
Gestão de segredos e certificados Guarda segura de senhas e chaves Sim Sim Sim

No essencial, os três empatam. As diferenças aparecem nos detalhes:

  • SQL Server gerenciado tem integração mais natural no Azure, e as regras de licenciamento da Microsoft costumam favorecer quem já tem licenças com Software Assurance. Confirme com o revendedor antes de assumir.
  • Data warehouse é onde o Google Cloud tem a reputação mais forte, com um modelo em que a empresa não administra servidor nenhum para consultar grandes volumes. Se a empresa ainda está avaliando se precisa de um, o post sobre data warehouse para empresas médias ajuda a decidir.
  • Amplitude de catálogo é o ponto forte da AWS, que costuma ter uma opção gerenciada para quase qualquer necessidade.

Para a decisão, a pergunta útil é: quais desses itens a minha empresa usa hoje e opera manualmente? Cada item da lista que sai das mãos da equipe é menos plantão, menos risco e menos dependência de uma pessoa específica.

Ecossistema: Microsoft 365, Google Workspace e afins

O que a empresa já usa pesa mais do que parece, principalmente em três frentes.

Identidade e login

Se os funcionários entram no e-mail com conta Microsoft, o diretório de usuários já está no ecossistema da Microsoft, e o Azure aproveita isso diretamente: o mesmo usuário que acessa o Outlook pode acessar os sistemas na nuvem, com as mesmas regras de senha e autenticação em dois fatores. Com Google Workspace, a lógica equivalente vale para o Google Cloud.

Isso não impede usar outro provedor: os três se integram aos diretórios uns dos outros, com um pouco mais de configuração.

Licenças que a empresa já tem

Empresas com Windows Server e SQL Server licenciados podem ter vantagens ao levar essas cargas para o Azure, dependendo do contrato. Levante o que está licenciado e em que modalidade antes de comparar provedores. Se a licença do banco pesa na conta, vale avaliar também migrar SQL Server ou Oracle para PostgreSQL.

Sistemas de terceiros

Verifique o que o fornecedor do ERP, do sistema de folha ou da plataforma de e-commerce homologa. Alguns fornecedores só dão suporte quando o sistema roda em um provedor específico, ou oferecem a própria nuvem gerenciada. Ignorar isso pode deixar a empresa sem suporte do fornecedor justamente quando precisar.

Suporte, contratação e faturamento em reais

Esta é a parte que o financeiro e o jurídico vão perguntar, e que as comparações técnicas esquecem.

  • Suporte do provedor. Os três têm planos pagos, com tempo de resposta que varia conforme o nível contratado e a gravidade do chamado. O plano básico, em geral, não inclui atendimento técnico para problemas de produção. Para sistemas críticos, avalie o nível de suporte junto com o restante da arquitetura.
  • Suporte de quem opera. O provedor responde pela infraestrutura dele, não pela sua aplicação. Quem atende quando o sistema fica lento no fechamento do mês é a sua equipe ou o parceiro que opera o ambiente. Defina isso por escrito, como detalhamos no post sobre SLA de suporte e sustentação de software.
  • Faturamento em reais. Os três oferecem caminhos para contratar no Brasil com cobrança em reais e nota fiscal brasileira, diretamente ou por meio de parceiros e revendedores autorizados. As condições variam com o porte da conta e a modalidade de contratação, então peça a proposta formal e envolva o contador na análise dos impostos.
  • Previsibilidade da conta. Nuvem cobra por uso, e isso assusta o financeiro acostumado a um contrato fixo. Os três oferecem descontos por compromisso de uso, orçamentos e alertas. O que torna a conta previsível é a disciplina, assunto do post sobre como reduzir custos de nuvem.

Como evitar ficar preso a um provedor

Aprisionamento (o famoso lock-in) é a preocupação legítima de qualquer diretor: e se o provedor mudar condições, ou se a empresa quiser sair daqui a alguns anos?

A resposta honesta é que algum aprisionamento é inevitável e, até certo ponto, desejável. Os serviços gerenciados que poupam trabalho são os mais específicos de cada provedor, e fugir de todos eles significa voltar a operar tudo manualmente.

O caminho equilibrado é escolher onde aceitar o aprisionamento:

  • Use padrões abertos no que é caro de trocar. Banco PostgreSQL ou MySQL gerenciado migra entre provedores com muito menos esforço do que um banco proprietário. Aplicações em contêiner rodam nos três.
  • Descreva a infraestrutura em código. Quando servidores, redes e permissões estão escritos em arquivos versionados, e não configurados à mão no painel, a migração vira um projeto conhecido, e não uma arqueologia.
  • Isole o que é específico do provedor. Se a aplicação usa a fila de mensagens de um provedor, que ela fale com essa fila por uma camada própria. Trocar depois significa mexer em um lugar, não em cinquenta.
  • Garanta acesso aos seus dados. Backups exportáveis, em formatos abertos, guardados com uma cópia fora da conta principal.
  • Registre os contratos e as dependências. Quem tem as credenciais de administrador, em nome de quem está a conta, quem recebe a fatura. Conta de nuvem em nome de um fornecedor, e não da empresa, é aprisionamento do pior tipo.

Quando usar mais de uma nuvem

Multinuvem soa como prudência, mas para a maioria das empresas médias é complexidade sem retorno. Cada provedor adicional significa outro painel, outro modelo de permissões, outra fatura, outro conjunto de habilidades na equipe e mais pontos de falha na integração.

Faz sentido usar mais de uma nuvem em situações específicas:

  • Backup e recuperação de desastres em outro provedor, para que um problema grave na conta principal não leve também as cópias. É uma forma simples e útil de multinuvem, e entra no desenho de um plano de recuperação de desastres para sistemas.
  • Um serviço que só um provedor oferece bem, por exemplo um recurso de análise de dados ou de IA, usado de forma pontual enquanto o restante fica no provedor principal.
  • Exigência contratual de cliente que pede redundância entre provedores.

Fora disso, a regra prática é: um provedor principal, bem operado, com backup fora dele.

Roteiro de decisão para a próxima reunião

Use estas perguntas na ordem. Na maioria dos casos, a escolha fica clara antes do fim da lista.

  1. O que já usamos? Microsoft 365 com Windows Server e SQL Server aponta para o Azure. Google Workspace com foco em dados aponta para o Google Cloud. Nenhum dos dois, ou um ecossistema misto, deixa a decisão aberta.
  2. O que os fornecedores dos nossos sistemas homologam? Uma restrição do ERP pode encerrar a discussão.
  3. Os serviços que vamos usar existem na região brasileira? Liste os serviços da arquitetura proposta e confirme um a um.
  4. Quem vai operar o ambiente? Se a equipe ou o parceiro já tem experiência profunda em um provedor, esse conhecimento vale mais do que pequenas diferenças técnicas.
  5. Como vamos contratar e pagar? Peça propostas formais com faturamento em reais e compare suporte, descontos por compromisso e condições contratuais.
  6. Onde aceitamos aprisionamento? Defina quais serviços gerenciados valem a dependência e quais componentes precisam continuar portáveis.
  7. Como vamos sair, se precisar? Exija conta em nome da empresa, infraestrutura descrita em código e backup exportável desde o primeiro dia.

Um teste final útil: uma prova de conceito pequena com o sistema mais representativo da empresa, com o custo acompanhado de perto, revela mais do que qualquer comparação em planilha.

Perguntas frequentes

AWS, Azure e Google Cloud têm data center no Brasil?

Sim. AWS, Azure e Google Cloud têm região no estado de São Paulo, o que permite rodar sistemas perto de usuários brasileiros. A Microsoft tem também uma região no Rio de Janeiro, de acesso restrito e pensada como par de recuperação de desastres. Nem todo serviço está disponível na região brasileira, então confirme os que a arquitetura usa.

A LGPD obriga a guardar os dados na nuvem dentro do Brasil?

Não. A LGPD não proíbe guardar dados pessoais fora do Brasil, mas trata a transferência internacional com regras próprias. Muitas empresas preferem manter dados de clientes e funcionários em região brasileira para simplificar a conformidade e atender contratos que exigem isso. A escolha da região deve ser validada com o jurídico.

Qual nuvem é mais barata: AWS, Azure ou Google Cloud?

Depende mais da arquitetura e da operação do que da tabela de preços. Servidores superdimensionados, ambientes esquecidos e falta de alertas pesam mais na conta de nuvem do que a diferença entre provedores. Licenças Microsoft já contratadas podem favorecer o Azure, e os três oferecem descontos por compromisso de uso. Uma prova de conceito revela o custo real.

Dá para contratar a nuvem com faturamento no Brasil e nota fiscal brasileira?

Sim. AWS, Azure e Google Cloud oferecem caminhos para contratar no Brasil com cobrança em moeda nacional e nota fiscal brasileira, diretamente ou por parceiros e revendedores autorizados. As condições variam conforme o porte da conta e a modalidade de contratação, então peça proposta formal e envolva o contador na análise dos impostos.

Preciso de uma equipe própria para operar a nuvem?

Não necessariamente, mas alguém precisa operar o ambiente. O provedor de nuvem responde pela infraestrutura dele, não pela aplicação da empresa. Quem atende quando o sistema fica lento no fechamento do mês é a equipe interna ou o parceiro contratado, e essa responsabilidade deve estar definida por escrito, com nível de suporte combinado.

Como a Pervian Tech conduz a escolha de nuvem

Na Pervian Tech, a escolha do provedor faz parte do trabalho de cloud e DevOps, e começa pela empresa, não pelo catálogo. Levantamos os sistemas, as licenças, os contratos com fornecedores, as exigências de dados e quem vai operar o ambiente, e só então recomendamos AWS, Azure ou Google Cloud, com a justificativa por escrito.

A partir daí desenhamos a arquitetura com infraestrutura em código, conta em nome da empresa, backup testado e alertas de custo desde o primeiro dia. Cada projeto é sob medida e o investimento é definido sob consulta, depois de um diagnóstico inicial gratuito. Para outros temas de infraestrutura, veja a categoria de cloud e infraestrutura do blog. Se a sua empresa está decidindo para qual nuvem ir, conte como é o seu ambiente hoje.

CloudAWSAzureGoogle CloudInfraestruturaServiço: Cloud & DevOps

Quer uma solução assim na sua empresa?

Cada projeto é desenhado sob medida para o seu processo, e o investimento é definido sob consulta depois de entendermos o contexto. O diagnóstico inicial não tem custo: descreva o cenário e respondemos em até um dia útil.

Falar com a Pervian Tech

Continue lendo

Fale conosco

Conte o problema que precisa resolver

Respondemos em até um dia útil com uma avaliação técnica inicial. Sem custo e sem compromisso.

Usamos seus dados apenas para responder este contato.