AWS, Azure ou Google Cloud: qual escolher para sua empresa
AWS, Azure ou Google Cloud? Compare região no Brasil, serviços gerenciados, suporte, faturamento em reais e como evitar ficar preso ao provedor.
Neste artigo
- A resposta curta
- A escolha da nuvem importa menos do que parece
- Região no Brasil, latência e residência de dados
- Serviços gerenciados que poupam trabalho
- Ecossistema: Microsoft 365, Google Workspace e afins
- Suporte, contratação e faturamento em reais
- Como evitar ficar preso a um provedor
- Quando usar mais de uma nuvem
- Roteiro de decisão para a próxima reunião
- Perguntas frequentes
- Como a Pervian Tech conduz a escolha de nuvem
A decisão chega à mesa da diretoria de formas diferentes. O fornecedor do ERP recomenda uma nuvem. O consultor de TI que atende a empresa há anos prefere outra. Um dos sócios ouviu num evento que "todo mundo está indo para o Google". E alguém da equipe lembra que a empresa já paga licenças da Microsoft, então talvez faça sentido ficar em casa.
Cada um tem um argumento razoável, e as comparações que aparecem na internet não ajudam: são tabelas com centenas de nomes de serviço que ninguém na diretoria vai usar. O que o gestor precisa saber é outra coisa. Onde ficam os dados, quanto trabalho de operação a nuvem tira da equipe, como é o suporte quando algo cai numa sexta à noite, como a conta chega ao financeiro e quão difícil será sair se a relação azedar.
Este texto compara AWS, Azure e Google Cloud por esses critérios, os que pesam numa empresa média brasileira, e termina com um roteiro de decisão que você pode usar na próxima reunião.
A resposta curta
Para a maioria das empresas médias brasileiras, os três provedores atendem bem. Todos têm região no Brasil, banco de dados gerenciado, armazenamento de arquivos, backup, recursos de segurança maduros e suporte pago com níveis de resposta definidos. A diferença entre eles raramente decide o sucesso de um projeto. O que decide é a arquitetura, a disciplina de custo e a qualidade da operação.
Dito isso, existem inclinações naturais:
- Azure tende a ser a escolha mais simples para empresas que vivem no ecossistema Microsoft: Microsoft 365, Windows Server, SQL Server, Active Directory e sistemas legados em .NET.
- AWS tende a ser a escolha mais simples quando a prioridade é amplitude de serviços, maturidade da região de São Paulo e facilidade de encontrar profissionais e parceiros com experiência. Para o front-end web, compare também Vercel ou AWS.
- Google Cloud tende a ser a escolha mais simples para empresas que já usam Google Workspace, que têm forte demanda de dados e análise, ou que vão trabalhar com contêineres desde o início.
Se a sua empresa não se encaixa claramente em nenhum desses perfis, a escolha deve sair dos critérios abaixo, e não da preferência de quem está recomendando.
A escolha da nuvem importa menos do que parece
Os problemas que mais custam caro em nuvem não são do provedor:
- Servidor superdimensionado que roda o mês inteiro para atender um pico de fechamento.
- Ambiente de testes esquecido ligado depois que o projeto acabou.
- Backup que nunca foi testado e não restaura quando precisa.
- Permissões amplas demais, com todo mundo administrando tudo.
- Sistema levado do jeito que estava, sem aproveitar nenhum serviço gerenciado.
Qualquer um desses acontece igualmente em AWS, Azure ou Google Cloud. Uma empresa que escolhe o provedor "ideal" e opera mal vai gastar mais e ter mais incidentes do que outra que escolhe um provedor qualquer e opera bem. Se o projeto é sair de um servidor físico, o roteiro de como migrar o servidor local para a nuvem costuma ter mais impacto no resultado do que a escolha do provedor.
Região no Brasil, latência e residência de dados
Os três provedores têm região no estado de São Paulo. A Microsoft tem também uma região no Rio de Janeiro, mas com acesso restrito e pensada principalmente como par de recuperação de desastres da região paulista, e não como opção comum de hospedagem. Na prática, isso significa que sistemas usados por equipes e clientes no Brasil podem rodar perto de quem usa, com tempo de resposta adequado para telas de ERP, PDV e aplicativos.
Alguns cuidados que costumam ser ignorados:
- Nem todo serviço está disponível em todas as regiões. Serviços mais novos, principalmente de IA e de análise de dados, às vezes chegam primeiro aos Estados Unidos e à Europa. Antes de decidir, confirme se os serviços que a sua arquitetura usa existem na região brasileira do provedor escolhido.
- Região brasileira costuma ser mais cara do que as regiões dos Estados Unidos. Isso não é motivo para mandar tudo para fora, mas é algo a avaliar caso a caso, por exemplo para cópias de arquivo de longo prazo que não contenham dados pessoais.
- Recuperação de desastres precisa de uma segunda localização. Como cada provedor tem, na prática, uma região de uso geral no Brasil, a cópia de contingência costuma ficar em outra zona da mesma região ou em uma região no exterior. Essa escolha conversa diretamente com a LGPD, abaixo.
Sobre a LGPD: a lei não proíbe guardar dados pessoais fora do Brasil, mas trata a transferência internacional com regras próprias. Muitas empresas preferem manter dados pessoais de clientes e funcionários em região brasileira para simplificar a conformidade e responder melhor a contratos com clientes que exigem isso. Essa é uma decisão a validar com o jurídico. Os três provedores permitem escolher a região onde os dados ficam armazenados, mas vale ler no contrato como são tratados dados de suporte, registros técnicos e serviços globais, que podem passar por outros países. Os cuidados de desenvolvimento estão no post sobre LGPD no desenvolvimento de sistemas.
Serviços gerenciados que poupam trabalho
O maior ganho da nuvem para uma empresa média não é trocar o servidor físico por um servidor virtual. É deixar de operar coisas que o provedor opera melhor. Os três oferecem versões gerenciadas do que mais pesa no dia a dia:
| Necessidade da empresa | O que o serviço gerenciado assume | AWS | Azure | Google Cloud |
|---|---|---|---|---|
| Banco de dados (PostgreSQL, MySQL, SQL Server) | Atualização, backup automático, réplica, troca automática em caso de falha | Sim | Sim | Sim |
| Armazenamento de arquivos e documentos | Durabilidade, versões, ciclo de vida | Sim | Sim | Sim |
| Rodar aplicações em contêiner | Servidores, escala, atualização do cluster | Sim | Sim | Sim |
| Funções que rodam sob demanda | Infraestrutura inteira, cobrança por uso | Sim | Sim | Sim |
| Filas e mensagens entre sistemas | Entrega, reprocessamento, escala | Sim | Sim | Sim |
| Data warehouse para BI | Armazenamento e consulta em grande volume | Sim | Sim | Sim |
| Gestão de segredos e certificados | Guarda segura de senhas e chaves | Sim | Sim | Sim |
No essencial, os três empatam. As diferenças aparecem nos detalhes:
- SQL Server gerenciado tem integração mais natural no Azure, e as regras de licenciamento da Microsoft costumam favorecer quem já tem licenças com Software Assurance. Confirme com o revendedor antes de assumir.
- Data warehouse é onde o Google Cloud tem a reputação mais forte, com um modelo em que a empresa não administra servidor nenhum para consultar grandes volumes. Se a empresa ainda está avaliando se precisa de um, o post sobre data warehouse para empresas médias ajuda a decidir.
- Amplitude de catálogo é o ponto forte da AWS, que costuma ter uma opção gerenciada para quase qualquer necessidade.
Para a decisão, a pergunta útil é: quais desses itens a minha empresa usa hoje e opera manualmente? Cada item da lista que sai das mãos da equipe é menos plantão, menos risco e menos dependência de uma pessoa específica.
Ecossistema: Microsoft 365, Google Workspace e afins
O que a empresa já usa pesa mais do que parece, principalmente em três frentes.
Identidade e login
Se os funcionários entram no e-mail com conta Microsoft, o diretório de usuários já está no ecossistema da Microsoft, e o Azure aproveita isso diretamente: o mesmo usuário que acessa o Outlook pode acessar os sistemas na nuvem, com as mesmas regras de senha e autenticação em dois fatores. Com Google Workspace, a lógica equivalente vale para o Google Cloud.
Isso não impede usar outro provedor: os três se integram aos diretórios uns dos outros, com um pouco mais de configuração.
Licenças que a empresa já tem
Empresas com Windows Server e SQL Server licenciados podem ter vantagens ao levar essas cargas para o Azure, dependendo do contrato. Levante o que está licenciado e em que modalidade antes de comparar provedores. Se a licença do banco pesa na conta, vale avaliar também migrar SQL Server ou Oracle para PostgreSQL.
Sistemas de terceiros
Verifique o que o fornecedor do ERP, do sistema de folha ou da plataforma de e-commerce homologa. Alguns fornecedores só dão suporte quando o sistema roda em um provedor específico, ou oferecem a própria nuvem gerenciada. Ignorar isso pode deixar a empresa sem suporte do fornecedor justamente quando precisar.
Suporte, contratação e faturamento em reais
Esta é a parte que o financeiro e o jurídico vão perguntar, e que as comparações técnicas esquecem.
- Suporte do provedor. Os três têm planos pagos, com tempo de resposta que varia conforme o nível contratado e a gravidade do chamado. O plano básico, em geral, não inclui atendimento técnico para problemas de produção. Para sistemas críticos, avalie o nível de suporte junto com o restante da arquitetura.
- Suporte de quem opera. O provedor responde pela infraestrutura dele, não pela sua aplicação. Quem atende quando o sistema fica lento no fechamento do mês é a sua equipe ou o parceiro que opera o ambiente. Defina isso por escrito, como detalhamos no post sobre SLA de suporte e sustentação de software.
- Faturamento em reais. Os três oferecem caminhos para contratar no Brasil com cobrança em reais e nota fiscal brasileira, diretamente ou por meio de parceiros e revendedores autorizados. As condições variam com o porte da conta e a modalidade de contratação, então peça a proposta formal e envolva o contador na análise dos impostos.
- Previsibilidade da conta. Nuvem cobra por uso, e isso assusta o financeiro acostumado a um contrato fixo. Os três oferecem descontos por compromisso de uso, orçamentos e alertas. O que torna a conta previsível é a disciplina, assunto do post sobre como reduzir custos de nuvem.
Como evitar ficar preso a um provedor
Aprisionamento (o famoso lock-in) é a preocupação legítima de qualquer diretor: e se o provedor mudar condições, ou se a empresa quiser sair daqui a alguns anos?
A resposta honesta é que algum aprisionamento é inevitável e, até certo ponto, desejável. Os serviços gerenciados que poupam trabalho são os mais específicos de cada provedor, e fugir de todos eles significa voltar a operar tudo manualmente.
O caminho equilibrado é escolher onde aceitar o aprisionamento:
- Use padrões abertos no que é caro de trocar. Banco PostgreSQL ou MySQL gerenciado migra entre provedores com muito menos esforço do que um banco proprietário. Aplicações em contêiner rodam nos três.
- Descreva a infraestrutura em código. Quando servidores, redes e permissões estão escritos em arquivos versionados, e não configurados à mão no painel, a migração vira um projeto conhecido, e não uma arqueologia.
- Isole o que é específico do provedor. Se a aplicação usa a fila de mensagens de um provedor, que ela fale com essa fila por uma camada própria. Trocar depois significa mexer em um lugar, não em cinquenta.
- Garanta acesso aos seus dados. Backups exportáveis, em formatos abertos, guardados com uma cópia fora da conta principal.
- Registre os contratos e as dependências. Quem tem as credenciais de administrador, em nome de quem está a conta, quem recebe a fatura. Conta de nuvem em nome de um fornecedor, e não da empresa, é aprisionamento do pior tipo.
Quando usar mais de uma nuvem
Multinuvem soa como prudência, mas para a maioria das empresas médias é complexidade sem retorno. Cada provedor adicional significa outro painel, outro modelo de permissões, outra fatura, outro conjunto de habilidades na equipe e mais pontos de falha na integração.
Faz sentido usar mais de uma nuvem em situações específicas:
- Backup e recuperação de desastres em outro provedor, para que um problema grave na conta principal não leve também as cópias. É uma forma simples e útil de multinuvem, e entra no desenho de um plano de recuperação de desastres para sistemas.
- Um serviço que só um provedor oferece bem, por exemplo um recurso de análise de dados ou de IA, usado de forma pontual enquanto o restante fica no provedor principal.
- Exigência contratual de cliente que pede redundância entre provedores.
Fora disso, a regra prática é: um provedor principal, bem operado, com backup fora dele.
Roteiro de decisão para a próxima reunião
Use estas perguntas na ordem. Na maioria dos casos, a escolha fica clara antes do fim da lista.
- O que já usamos? Microsoft 365 com Windows Server e SQL Server aponta para o Azure. Google Workspace com foco em dados aponta para o Google Cloud. Nenhum dos dois, ou um ecossistema misto, deixa a decisão aberta.
- O que os fornecedores dos nossos sistemas homologam? Uma restrição do ERP pode encerrar a discussão.
- Os serviços que vamos usar existem na região brasileira? Liste os serviços da arquitetura proposta e confirme um a um.
- Quem vai operar o ambiente? Se a equipe ou o parceiro já tem experiência profunda em um provedor, esse conhecimento vale mais do que pequenas diferenças técnicas.
- Como vamos contratar e pagar? Peça propostas formais com faturamento em reais e compare suporte, descontos por compromisso e condições contratuais.
- Onde aceitamos aprisionamento? Defina quais serviços gerenciados valem a dependência e quais componentes precisam continuar portáveis.
- Como vamos sair, se precisar? Exija conta em nome da empresa, infraestrutura descrita em código e backup exportável desde o primeiro dia.
Um teste final útil: uma prova de conceito pequena com o sistema mais representativo da empresa, com o custo acompanhado de perto, revela mais do que qualquer comparação em planilha.
Perguntas frequentes
AWS, Azure e Google Cloud têm data center no Brasil?
Sim. AWS, Azure e Google Cloud têm região no estado de São Paulo, o que permite rodar sistemas perto de usuários brasileiros. A Microsoft tem também uma região no Rio de Janeiro, de acesso restrito e pensada como par de recuperação de desastres. Nem todo serviço está disponível na região brasileira, então confirme os que a arquitetura usa.
A LGPD obriga a guardar os dados na nuvem dentro do Brasil?
Não. A LGPD não proíbe guardar dados pessoais fora do Brasil, mas trata a transferência internacional com regras próprias. Muitas empresas preferem manter dados de clientes e funcionários em região brasileira para simplificar a conformidade e atender contratos que exigem isso. A escolha da região deve ser validada com o jurídico.
Qual nuvem é mais barata: AWS, Azure ou Google Cloud?
Depende mais da arquitetura e da operação do que da tabela de preços. Servidores superdimensionados, ambientes esquecidos e falta de alertas pesam mais na conta de nuvem do que a diferença entre provedores. Licenças Microsoft já contratadas podem favorecer o Azure, e os três oferecem descontos por compromisso de uso. Uma prova de conceito revela o custo real.
Dá para contratar a nuvem com faturamento no Brasil e nota fiscal brasileira?
Sim. AWS, Azure e Google Cloud oferecem caminhos para contratar no Brasil com cobrança em moeda nacional e nota fiscal brasileira, diretamente ou por parceiros e revendedores autorizados. As condições variam conforme o porte da conta e a modalidade de contratação, então peça proposta formal e envolva o contador na análise dos impostos.
Preciso de uma equipe própria para operar a nuvem?
Não necessariamente, mas alguém precisa operar o ambiente. O provedor de nuvem responde pela infraestrutura dele, não pela aplicação da empresa. Quem atende quando o sistema fica lento no fechamento do mês é a equipe interna ou o parceiro contratado, e essa responsabilidade deve estar definida por escrito, com nível de suporte combinado.
Como a Pervian Tech conduz a escolha de nuvem
Na Pervian Tech, a escolha do provedor faz parte do trabalho de cloud e DevOps, e começa pela empresa, não pelo catálogo. Levantamos os sistemas, as licenças, os contratos com fornecedores, as exigências de dados e quem vai operar o ambiente, e só então recomendamos AWS, Azure ou Google Cloud, com a justificativa por escrito.
A partir daí desenhamos a arquitetura com infraestrutura em código, conta em nome da empresa, backup testado e alertas de custo desde o primeiro dia. Cada projeto é sob medida e o investimento é definido sob consulta, depois de um diagnóstico inicial gratuito. Para outros temas de infraestrutura, veja a categoria de cloud e infraestrutura do blog. Se a sua empresa está decidindo para qual nuvem ir, conte como é o seu ambiente hoje.
Quer uma solução assim na sua empresa?
Cada projeto é desenhado sob medida para o seu processo, e o investimento é definido sob consulta depois de entendermos o contexto. O diagnóstico inicial não tem custo: descreva o cenário e respondemos em até um dia útil.
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